sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amor moribundo

Cárcere soturno.
Leito recoberto de flores.
Gestos obsessivos.
Fragmentos polidos.
Um peito contrito
Da dor da partida
Da dor não contida.
Num pousar simplório,
a mão acolhida pela máquina de escrever,
é um subterfúgio plausível
que me cabe.
Fazer-te memorável em retrato
fundo preto,
traçado este olhar tácito,
um amor moribundo
quis eu sepultar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Olá! Devido a um período conturbado, final de 2008, não foi possível continuar com esse blog. Cá estou novamente abrindo essas gavetas sem alguma pretensão de impressionar. Quero mesmo é sugerir e pensar sobre. Então, vamos! Sintam-se em casa e puxem logo essas gavetas para opinar.

Marca autoral


Muitas pessoas não dormem à noite porque tem insônia.
Ou porque estão transando, ou porque estão cutucando sua geladeira e tragando um cigarro.
Eu sou às vezes uma retardada que não dorme por causa de poesia
e acordada fico até que essas ideias me abandonem.


Núpcias

O beijo
O olhar
O toque
O corpo
Os dedos
As alças
O vestido.

O nu
O choro
A emoção
O prazer:
Os seios
As mãos
O rosto
O peito
Os cabelos
Os pés.

O lençol
O deitar
A cama
O sorrir
O ouro
O reluzente
O dedo,
O esquerdo
A um
A outro
A dois.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Uma lágrima descabida
teima em brotar à retina.
Voz perdida que se sinta
o peito abrasa
excludente chama,
convertida em cinzas.
Brisas levam as cinzas,
flores repartidas

inauguram uma dor particular.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Saiu de cena
(dedico ao JVR que por aí vaga).

Saiu de cena com meio sorriso
e um breve adeus.
A tela translucida encobriu
a imagem em movimento,
é um vento.

O quadro, já não é mais Monalisa
As traças se fartaram num tempo de cinzas.
E se fez passado:
as fotos não tiradas e os lugares
não visitados.

Mudou logo de estado,
pegou um avião
mudando o estar das coisas.
E assim, de leve na mente evasiva
uma fisionomia jamais esquecida
aos poucos se apaga.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ao desapego.

Ultimamente tenho sido induzida a prática do desapego. Esse desapego, é um moleque teimoso que anda batendo a minha porta com freqüência. Como não dizer que esse moleque é das antigas, pois com o passar dos anos, ele cresce e toma proporções maiores não previstas por mim. Desde o parto da minha mãe que pariu, tenho que partir para novas situações. Mas ainda estou aprendendo com a partida, ela é uma partilha que me parte ao meio.Parte meu pai de casa e vai formar outra família. Parte o meu irmão de casa mais chegado. Já não sou mais apegada a amiga da infância, ela partiu de mala e cuia para 'morar bem' em Niterói. Faço então um par de coisas e desfaço. Desfaço da minha coleção de objetos, os que já se quebraram. Já não sou mais apegada aos meus discos e a minha vitrola já não tem mais agulha. Baixo músicas na Internet e depois deleto. Eu me desapego sem sentir quando é primitivo, mas depois vem a falta. Nesse caminho caminham entes queridos que se foram, levo o meu pensamento a estes antes de dormir, faço uma prece. Desapego, mas não esqueço! Passo por lugares que não queria passar, queria eu ficar. Mas o desapego é um moleque teimoso que me dita suas regras do tempo, o tempo todo. Já não sou mais apegada a timidez, dela me despedi. Minha face não cora mais quando tiro a roupa diante de um outro. Minha face não cora mais quando tenho que ficar diante de muitos, contudo, é preciso beber um gole, se despedir, sair à francesa. A vida é efêmera e a saudade, é coisa do humano. Fazemos pedidos na passagem do ano. Nos servimos das recordações. Dos bilhetes guardados, das conversas que jogamos fora e das imagens instantâneas de uma foto. Ou dos abraços que marcaram ‘o puta momento feliz.’ Guardamos e desapegamos, em movimento, em colisão, em auto-estrada: corredor conhecido que trilhamos, até desconhecermos, até apalparmos o transitório de uma outra vez.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ao jovem Neto do Bira

Digo nas entrelinhas... deixo o corpo extenuante e a alma confessa de afetos.

Pode ser estupidez, mas não apanho rosas. Fui feita para recebê-las.
A falta de um sim, nua recortei:
o seu contorno
as suas feições.
Não me importa ensaiar com olhos falhados sobre a folha.

Descrevo em curto prazo, sem refutar as declarações que hesitei enviar.


Falso encanto

Esvaziar a alma ébria da melancolia
E deitar ao lado da lua,
o corpo de mulher nua
Vibrará das suas curvas a mais linda melodia.

Mesmo que tardia
venha a insípida rotina
e intrigue a consciência libertina.
E agora? Já é dia!

Mesmo que o romance seja um falso encanto
Nesse abismo, eu me lanço
e me arrisco tanto.

Estico as mãos e alcanço
Um dia eu paro
e no outro balanço.

Pintó
Surgió interés
Surgió indecisión
Reinó el miedo
de no ser acepta.
Pinté.
Como se pinta
los colores de un lindo dibujo.
Largué
Soňé
Perdí.
Entre tantos dibujos
Quedó olvidado.

Por Andréa de Azevedo