segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Flores



Flores?

De vez em quando...buquês.
Por muitos anos eu ouvi que...

_Flores, pra quê? Se elas murcham!
Aquelas então que os ambulantes
vendem na porta do cinema
ou no barzinho
são troféus de puta.
(Isso ele me dizia).

Ah...muitas pétalas eu guardei...
até as que não tive,
mesmo que murchas
mesmo que despedaçadas.

Flores preferidas?
Margaridas.
De vez em quando as colhi nos campos
que passei...
fiz bem-me-quer, malmequer,
bem-me-quer, malmequer...
deve ser por isso que nunca as recebi
de um rapaz.

Eu as despetalava.
Despetaladora de margaridas. (risos)
Ninguém nunca me presenteou com uma delas.
Via as artificiais, as naturais,
nas vitrines, nas floriculturas,
nas calçadas, nos enfeites, nos jardins...

Despetaladora de margaridas.
E algumas rosas do passado,
espinhos que cortam as mãos...

Flores pelo caminho?
De vez em quando,
muito de vez em quando
buquês...
vasos solitários...
Um dia...quem sabe. Para enfeitar o colchão delas
e amar entre as pétalas...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

c
a
s
c
a
t
a
s aboresss...
s aberesss...
s ede
s entisss...
s edento
s aciasss...
s
s
s
.
.
.

domingo, 25 de outubro de 2009













Coração metálico

Voltei para o mar e era dia.
A paz da manhã parecia me escutar...
Não havia lágrimas desta vez,
nem um coração aos pulos.
Tudo aqui é tão perfeito...
Vejo os prédios de longe
e até o Cristo tenta me abraçar.
É só um quadro,
de perto, está cheio de borrões.
Sou maquiada
unhas pintadas
o dever de manter
aparências.
Monólogo meu...
ficarei acanhada em dizer
retenho à memória
umas palavras
e elas logo se soltam
e me voam entrecortadas...
Cabeça nas nuvens
pés no chão.
Coração metálico
meu gesto mecânico, contido
insistindo em pulsar...


16/09/2002 Reformulado 25/10/2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Versos teus, versos meus.


Crescer com a virtude de não ser
E ser a virtude do que permanece.
Lutar com armas limpas e claras
E forjar a luz de cada amanhecer.
Cantar musas em versos e prosas
Celebrar a confusão de prosódias
E a lucidez da loucura de cada dia. (Fabiano Silmes)

Sem decorar sextilhas e redondilhas
Andei sem rumos. Quebrei os pactos.
E se me compactuava as normas e as métricas,
dantes as pretendias
desde o verso inicial em parceria.
Mas não sou poeta que segui à risca
aquilo que regula meus princípios. Minha arte.
Sou poeta! Com armas limpas e claras.
Atiro meus versos com essa tinta que se esgota.
E a lucidez da loucura de cada dia se finda. (Andréa de Azevedo)

sábado, 26 de setembro de 2009

Não gosto de passos longos

nem sempre são grandes passos.

Prefiro passos curtos

bem idealizados.

É na ponta dos pés

que guardo o equilíbrio

e a sabedoria concedida.

01/08/2001.

terça-feira, 22 de setembro de 2009


É desejo

devaneio

de um coração

derradeiro

de uma paixão

em neon

piscando:

ILUSÃO
ILUSÃO ILUSÃO

ILUSÃO
ILUSÃO ILUSÃO


10/09/2000

quarta-feira, 16 de setembro de 2009


Lata d' água na cabeça


Na estrada de chão No sol escaldante
As mulherem sobem As mulheres descem
Lata d' água na cabeça! Mãe do lado dizendo:

_Ande que tem mais lata pra pegá, menino divagá!

Seguem arrastando os passos Erguendo suas cambucas
Não tem bica Não tem ducha
Graças ao Bom Deus Tem água pra encher a lata
porque dia desses por ali...Tinha lata vazia.