sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dor não tem título.


Estou aprendendo a me superar. Assim como uma criança que dá seus primeiros passos...Tem dias que caio no chão, me machuco feio. Tem dias que me equilibro, e dou um passo novo. Não! eu não queria sangrar nestas linhas, é inevitável.O que mais me espanta é ver a festa rolar, as pessoas, dançarem, beberem, comer e rir. Enquanto lá no fundo da pista, lá no escuro, um alguém só, derrama lágrimas...São lágrimas silenciosas demais para que todos percebam. São tão insignificantes essas lágrimas, que pessoas vivem, e são felizes às custas delas. Já imaginou? Pessoas vivem felizes às custas das lágrimas de um só. Eu não sabia. É. Já não se faz mais gente como antigamente.O que importa para o mundo isso? Cada um vive a sua vida. Tem o seu trabalho, a sua rotina, e se assim pensa no outro, deve ser para seu benefício próprio. Eu nem sabia que umas lágrimas custavam tanto, sangrar nas linhas escritas, não merece atenção! E depois de escrever, o que importa mesmo é que as lágrimas se secaram.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Mar revolto em meu ser...
Enleio, liame de um fio ata minha esperança.

Espera.

A especulação do mundo me cerca, me abate.
Estou grávida de sonhos que insistem em nascer.

Creio.

E não há parto sem dor.
A travessia é uma via de mão única.

Fé.

Fito os meus olhos na certeza da realização
das coisas que não se vê.

domingo, 4 de abril de 2010












Não teimo em forçar à escrita, ela me vem como anúncio
Borboletas saem do casulo do mais íntimo ao fundamental
Viva impressão em efeito epifania.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Inimigo inconveniente da alma


Em um mundo distante...sentado, braços apoiados entre as pernas, fazendo a breve viagem infinita. Não é preciso maconha, nem chá de cogumelo, nem cocaína. Nem a bebida mais forte que corta a garganta para enrubescer os lábios.
A viagem, é o encontro do eu com o eu...e não é preciso entender. É regresso, é presente, é o esperar...E não é nada transcendental. Nem é meditação, nem papo esotérico, tampouco espiritual.
A viagem é minha. Eu não tenho religião, mas converso com Deus. Faço orações, leio o livro sagrado, apesar de não conseguir seguí-lo nem 70% rs. Sem culpas! Também, não estou orando nesse momento. O encontro não é com Deus, nem com meios de alucinações. Já disse, o encontro é comigo. Alguma vez já marcou esse tipo de encontro com o eu?
Certa vez relatei aqui que sai na porrada comigo mesmo e não houve comentários no blog. Dessa vez, não tem porrada! Ahn...o encontro que marquei comigo mesmo foi só para contar que cruzei com o meu maior inimigo.
Inevitavelmente, o 'sujo' me tocou no ombro para poder me cumprimentar. Sim, eu beijei a face do inimigo, quando na verdade, queria cuspir na sua cara, dar aquela escarrada bem nojenta! Era o que ele merecia. No entanto, os rigores da boa educação me bloquearam e fiquei sem me pronunciar enquanto o 'impostor' me seguia.
Eu apertava o passo ofegante e ele a emendar assuntos banais dissimulando verdades que não existiam. Monossilabicamente, eu respondia.
O 'perseguidor', tomou o meu caminho, subiu no elevador e parou no mesmo andar. Imaginei que poderia ter dito a ele: Não se envergonha de falar comigo? Vai para o inferno, cretino!
E se existisse chá de sumiço, eu o tomaria num gole só. Diante do 'inconveniente', eu queria abrir o chão e enterrar minha cabeça até que saísse de minha presença.
Antes de cruzar o corredor, ele acenou Até! Com uma risadinha no canto da boca. Adeus! Eu disse, aguardando que sumisse do outro lado do corredor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010


Piegas.


Faça seu julgamento
Dê sua sentença
fique armado até os dentes
como sempre preferiu!
Ainda sim, a coragem
lhe falta para atirar
a primeira pedra.
A primeira pedra?
Não é aquela
que parou no meio
do caminho.
Com minha ajuda
soube remover
suas pedras
e aproveitar o caminho
que o conduzi.
Passaste pelo caminho,
já não há mais como voltar.
Ateou fogo com suas próprias mãos
jogando suas bingas de cigarro.
Fumaste todas cartelas possíveis,
mesmo sabendo
que aquele cheiro ia me incomodar.
Eu respirei o ar de suas camisas
empregnadas de perfume
para tapiar, respirei.
Pensei que a náusea
iria passar...
e o cheiro ainda me incomoda.
Segui o outro caminho
aquele de antes:
o breu das noites solitárias
o brejo, o coaxar dos sapos...
Respirei, o cheiro dos livros
guardados.
Permiti que as traças roessem
minhas pequenas lembranças.
Cenas de um filme
se passou.
Entre o farol e as buzinas
do carro
o olhar se perdeu.
17/02/2010 (início) 06/03/2010 (término).

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Quadrilha

(Em homenagem ao autor Carlos Drummond de Andrade)


Era festa junina

ela não tinha par

para quadrilha.


Entraram na roda

Dançaram a três:

ela, a amiga

e o namorado

da amiga.


Mudou a música

Mudou a trilha

Entraram na roda

Dançaram a três:

ela, a amiga

e o ex-da amiga.


Mudou a música

Mudou a trilha

Entraram na roda

Dançaram a três:

ela com o ex-da amiga

e a amiga.


Mudou a música

Mudou a trilha

Entraram na roda

Dançaram a três:

ela com o ex-da amiga

e a ex-amiga.



A festa acabou.

A música parou.

A trilha mudou

A roda se desfez.

Dançou: ela,

o ex-dela e da amiga

e mais a ex-amiga.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


Não veja a vida pelo retrovisor.

26/06/2002

Dedico à Isabela Brito.