quinta-feira, 3 de junho de 2010



"Vão-se os anéis, ficam-se os dedos".
Vão-se os amores, ficam-se os textos...



Junhos apagados...
Coadunam-se ditados
à anotações de uma agenda menina.


Vão-se os amores, ficam-se os textos.
Vão-se vãs palavras
Fica a nota rodapé
presa ao peito

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*Ser feliz ao largo do sonho, amar outra vez.

quinta-feira, 13 de maio de 2010


Tão vazia quanto um saco flutuante com o vento a dançar pelas calçadas...

Não fui fazer a catarse como de costume.
Não fui ler Pessoa pra me confortar.
Não tomei chá pra dormir, nem calmante pra apagar.

Há dias estou presa em mim
e não me faço comunicar.
Há dias eu conto o fim da espera
numa carreira de palitos de fósforos.
Ah, dias... há dias sem se meter nos prazeres da noite.
Sem me meterem ô puto! Ah...Há dias...

Desaprendi de me fazer de interessante.
Desaprendi de sonhar de barriga cheia.
Desaprendi para aprender de novo...
a Cecília Meireles diz bem isso,
claro que não com essas palavras!

Como em uma cadeia alimentar
e sofro com a possibidade de ser devorada.
Foda-se! Se eu gritar de voz abafada ao travesseiro.
Não dizem que é bom consultá-lo às vezes?

Já fiz castelo de areia e o mar derrubou.
Um mar absoluto e cheio de si.
Não fui possuída pela força traiçoeira das ondas.
Mas desejei que elas repuxassem minha carne...
até me sentir estar viva.

Não fui sempre aquela que ganhou
todas as apostas do mundo
nem todas as rifas. Também não sou a primeira da fila a passar...
Sou aquela que come pelas beiradas, igual se come mingau.
Filha de uma mãe que sai pra trabalhar e assume a dupla jornada.

Com o tempo, a gente aceita: o não, o talvez e o quem sabe
Pra poder ouvir ainda: o sim, o exato, o perfeito.
Desaprendi para aprender de novo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Vou pichar em todas as esquinas, os Nomes dos meus amores impossíveis. E eles vão passar...sem saber que os dedico versos despretenciosos. Mancharei muros pelos amores que sofri, posto em meu ato mais vândalo de ser. Na calada da noite, ninguém há de descobrir o que se foi premeditado, do meu agir mais secreto. Ao me ler, vão me ver com belos olhos. Me beijar a boca e me despir, comiserados pela dor do amor que não existiu...e eu poeta de uma trova só, ficarei ao pé da lua a entregar esta cantiga, as estrelas que eu puder alcançar. Só pra no mundo não ser mais esquecida.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dor não tem título.


Estou aprendendo a me superar. Assim como uma criança que dá seus primeiros passos...Tem dias que caio no chão, me machuco feio. Tem dias que me equilibro, e dou um passo novo. Não! eu não queria sangrar nestas linhas, é inevitável.O que mais me espanta é ver a festa rolar, as pessoas, dançarem, beberem, comer e rir. Enquanto lá no fundo da pista, lá no escuro, um alguém só, derrama lágrimas...São lágrimas silenciosas demais para que todos percebam. São tão insignificantes essas lágrimas, que pessoas vivem, e são felizes às custas delas. Já imaginou? Pessoas vivem felizes às custas das lágrimas de um só. Eu não sabia. É. Já não se faz mais gente como antigamente.O que importa para o mundo isso? Cada um vive a sua vida. Tem o seu trabalho, a sua rotina, e se assim pensa no outro, deve ser para seu benefício próprio. Eu nem sabia que umas lágrimas custavam tanto, sangrar nas linhas escritas, não merece atenção! E depois de escrever, o que importa mesmo é que as lágrimas se secaram.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Mar revolto em meu ser...
Enleio, liame de um fio ata minha esperança.

Espera.

A especulação do mundo me cerca, me abate.
Estou grávida de sonhos que insistem em nascer.

Creio.

E não há parto sem dor.
A travessia é uma via de mão única.

Fé.

Fito os meus olhos na certeza da realização
das coisas que não se vê.

domingo, 4 de abril de 2010












Não teimo em forçar à escrita, ela me vem como anúncio
Borboletas saem do casulo do mais íntimo ao fundamental
Viva impressão em efeito epifania.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Inimigo inconveniente da alma


Em um mundo distante...sentado, braços apoiados entre as pernas, fazendo a breve viagem infinita. Não é preciso maconha, nem chá de cogumelo, nem cocaína. Nem a bebida mais forte que corta a garganta para enrubescer os lábios.
A viagem, é o encontro do eu com o eu...e não é preciso entender. É regresso, é presente, é o esperar...E não é nada transcendental. Nem é meditação, nem papo esotérico, tampouco espiritual.
A viagem é minha. Eu não tenho religião, mas converso com Deus. Faço orações, leio o livro sagrado, apesar de não conseguir seguí-lo nem 70% rs. Sem culpas! Também, não estou orando nesse momento. O encontro não é com Deus, nem com meios de alucinações. Já disse, o encontro é comigo. Alguma vez já marcou esse tipo de encontro com o eu?
Certa vez relatei aqui que sai na porrada comigo mesmo e não houve comentários no blog. Dessa vez, não tem porrada! Ahn...o encontro que marquei comigo mesmo foi só para contar que cruzei com o meu maior inimigo.
Inevitavelmente, o 'sujo' me tocou no ombro para poder me cumprimentar. Sim, eu beijei a face do inimigo, quando na verdade, queria cuspir na sua cara, dar aquela escarrada bem nojenta! Era o que ele merecia. No entanto, os rigores da boa educação me bloquearam e fiquei sem me pronunciar enquanto o 'impostor' me seguia.
Eu apertava o passo ofegante e ele a emendar assuntos banais dissimulando verdades que não existiam. Monossilabicamente, eu respondia.
O 'perseguidor', tomou o meu caminho, subiu no elevador e parou no mesmo andar. Imaginei que poderia ter dito a ele: Não se envergonha de falar comigo? Vai para o inferno, cretino!
E se existisse chá de sumiço, eu o tomaria num gole só. Diante do 'inconveniente', eu queria abrir o chão e enterrar minha cabeça até que saísse de minha presença.
Antes de cruzar o corredor, ele acenou Até! Com uma risadinha no canto da boca. Adeus! Eu disse, aguardando que sumisse do outro lado do corredor.