quinta-feira, 19 de março de 2009

O escritório

O dia começa aqui no Rio de Janeiro. Sol que brilha e incide raios de esperança. Pelas ruas, quadros pintados à mão, buquês de rosas desabrochando e o som do saxofone tocado por um desconhecido de calçada, melodia que compõe a beleza dos pássaros riscando o céu azul.
As buzinas dos carros insistentes soavam diante dos semáforos: uma breve imagem que alterna as cores verde e vermelha. Curiosamente, as pessoas apressavam os passos, talvez para não perderem a hora.
Com poucas moedas no bolso, eu ia em direção aos comércios, as agências de emprego. Bati de porta em porta e fiz propostas, eu ouvi condições e não certezas. Comi o pão de queijo barato da esquina e distribui currículos até voltar de pasta vazia. Nenhum telefonema convidativo, eu caminhava pela rua quase que a insistir na necessidade de uma chance que valia conquistar, foi quando vi papéis voando sobre a mesa de um escritório de esquina assim como eu voava nos pensamentos... Olhei pelo vidro janela.
No escritório, ao lado de um bebedouro velho, havia um homem com a cara meio amarrotada. Tomei coragem e entrei sentando-me na cadeira de frente para o homem. Eu disse com um ar de interesse:
_ Bom dia, senhor. Há uma vaga aqui nesse estabelecimento para auxiliar de escritório?
O homem respondeu meio sonolento:
_ Não, senhor...Aqui não há interesse de contratar auxiliar de escritório.
Insisti em questionar:
_ E para serviço de banco? Sou excelente boy,eu já trabalhei com isso.
E o homem respondeu com desdém:
_Não, aqui não fazemos serviço de banco.
Eu rebati deixando o homem mais ainda intrigado:
_ E na contabilidade? Sou formado em contabilidade, posso cuidar dos gastos e finanças.
_Não há vaga, não senhor. Nós não temos gastado, não há lucro algum.
Eu queria uma chance. E por causa disto, tendenciosamente, procurei perguntar por outro cargo:
_ E vaga para serviços gerais? Sou ótimo na limpeza, vejo que o vidro está sujo e ali atrás deve ter um banheiro como todo escritório tem, posso limpá-lo com capricho!
_Não senhor. Aqui nós não limpamos nada.
_Então se não precisa de nada, o que o senhor faz aqui?Perguntei já irritado.
Ele disse com toda paciência:
_ O que faço aqui é isso.
_Isso o quê? Perguntei.
_ Responder essas perguntas que o senhor fez em relação a vaga de emprego aqui.
_ O senhor não está falando sério! Eu disse amuado com todo aquele rodeio. E emendei uma pergunta:
_Quem é o dono disso aqui?Me fala!Eu quero falar com ele agora!
Então o homem olhou para o relógio, levantou mudo da cadeira e tirando uma chave do bolso, tranquilo indagou com a cabeça:
_ O senhor vai ficar aí? Eu vou fechar.
Eu já não me continha e gritei :
_ Não vai me responder?! Lhe perguntei, quem é o dono dessa espelunca aqui!
Ele veio calmo e disse em tom baixo:
_ Encerrei o expediente. Agora eu não respondo mais nada.
E andou até a porta me chamando:
_ Vem, eu vou trancar! Não posso trancar com o senhor aí dentro.

2 comentários:

Lisa Stér Cöy disse...

É!! rsrs

Deu maior temporal mas, a chuva e o vento vieram pra irrigar a felicidade do evento... :)

Foi ótimo mesmo...rsrs... em breve vai ser o seu heim!!! :D

Bjinhos!!!

PS.: Ah, O livro está lá em Icaraí, na Livraria da Eduff, do lado do teatro da uff. Se puder, passa pros amigos!!!

fabiano Silmes disse...

Putz...Estranho eu me senti dentro do ambiente do seu texto...vendo com expectativa o desenrolar dos fatos...


Evoé,abraços!