Aquele rapaz...
se eu soubesse me fazer de puta... seria tão fácil quanto. Acontece que não passei nem do primeiro estágio, isto é segredo. Como em outras situações, foi dentro do ônibus cheio que o avistei. Decerto que, vê-lo novamente, seria muita coincidência. Pensei nisto ao começar a observá-lo.
Lindo! Parecia um argentino. Camisa azul clara, jeans desbotado, mochila pendurada nos ombros. Ar de garoto. Cabelo de anjo meio desgrenhado, mediano. Barba por fazer e uns olhos! Olhos verdes ou azuis, tons meio confusos...olhos de gato.
As pessoas se espremiam na condução, e ele de pé, era um deles. Enquanto, eu estava sentada, debruçando o corpo no banco e a cabeça na janela.
Ele flertou comigo, durante horas...eu disfarçava, essa coisa de mulher que se faz de difícil...mas logo, me pegava presa em seus olhos, seduzida talvez.
Soltei os cabelos, joguei a franja pra traz, fiz charme... Até que nos prendemos de vez em olhares viciados, sem desvios. O homem sentado ao meu lado dormia. Assim, o rapaizito se chegou mais pra perto de mim sem nenhum receio. Sorrimos. Ele deu aquela piscadinha e uma risada de canto da boca.
O ônibus corria, e por isso, ele se equilibrava na minha frente. Teve que se segurar no banco, devido a uma freada brusca, inesperada. Então, pude notar a sua mão esquerda, um anel de prata, um sinal de cruz, escrito Jesus e mais acima, a aliança.
Quando me olhou novamente, apontei na minha mão esquerda o dedo, demonstrei minha insatisfação e balbuciei de perto:
_ Você é casado?
Ele fez com a cabeça que sim, como se lamentasse e disfarçando disse:
_Então? Nada a ver...
Balancei a cabeça e soletrei entre os dentes, baixando a voz:
_ SA-Fa-do.
Ele apontou para si e me indagou:
_Eu?
Puxa...fiquei envergonhada. Mas ao mesmo tempo, uma vontade doida de agarrá-lo pela mão e descer do ônibus. Levantei a cabeça e passei a fitá-lo por entre os vidros da janela, sua imagem refletida...ele percebeu e me correspondeu sorrindo. Foi quando o seu celular tocou. Tava na cara que era ela. Ele se justificava, dizendo estar preso no trânsito e não em meus olhos...Desligou e se despediu. Se apoiou ao banco por mais uma freada brusca. A mão esquerda em evidência. No dedo, o anel de prata, uma cruz cravada com o nome de Jesus... Mais acima, a aliança sobre meus olhos e todos os valores preciosos esquecidos.
se eu soubesse me fazer de puta... seria tão fácil quanto. Acontece que não passei nem do primeiro estágio, isto é segredo. Como em outras situações, foi dentro do ônibus cheio que o avistei. Decerto que, vê-lo novamente, seria muita coincidência. Pensei nisto ao começar a observá-lo.
Lindo! Parecia um argentino. Camisa azul clara, jeans desbotado, mochila pendurada nos ombros. Ar de garoto. Cabelo de anjo meio desgrenhado, mediano. Barba por fazer e uns olhos! Olhos verdes ou azuis, tons meio confusos...olhos de gato.
As pessoas se espremiam na condução, e ele de pé, era um deles. Enquanto, eu estava sentada, debruçando o corpo no banco e a cabeça na janela.
Ele flertou comigo, durante horas...eu disfarçava, essa coisa de mulher que se faz de difícil...mas logo, me pegava presa em seus olhos, seduzida talvez.
Soltei os cabelos, joguei a franja pra traz, fiz charme... Até que nos prendemos de vez em olhares viciados, sem desvios. O homem sentado ao meu lado dormia. Assim, o rapaizito se chegou mais pra perto de mim sem nenhum receio. Sorrimos. Ele deu aquela piscadinha e uma risada de canto da boca.
O ônibus corria, e por isso, ele se equilibrava na minha frente. Teve que se segurar no banco, devido a uma freada brusca, inesperada. Então, pude notar a sua mão esquerda, um anel de prata, um sinal de cruz, escrito Jesus e mais acima, a aliança.
Quando me olhou novamente, apontei na minha mão esquerda o dedo, demonstrei minha insatisfação e balbuciei de perto:
_ Você é casado?
Ele fez com a cabeça que sim, como se lamentasse e disfarçando disse:
_Então? Nada a ver...
Balancei a cabeça e soletrei entre os dentes, baixando a voz:
_ SA-Fa-do.
Ele apontou para si e me indagou:
_Eu?
Puxa...fiquei envergonhada. Mas ao mesmo tempo, uma vontade doida de agarrá-lo pela mão e descer do ônibus. Levantei a cabeça e passei a fitá-lo por entre os vidros da janela, sua imagem refletida...ele percebeu e me correspondeu sorrindo. Foi quando o seu celular tocou. Tava na cara que era ela. Ele se justificava, dizendo estar preso no trânsito e não em meus olhos...Desligou e se despediu. Se apoiou ao banco por mais uma freada brusca. A mão esquerda em evidência. No dedo, o anel de prata, uma cruz cravada com o nome de Jesus... Mais acima, a aliança sobre meus olhos e todos os valores preciosos esquecidos.
14 comentários:
O texto cativa mesmo, é um conto curtinho, mas fica a dúvida: é baseado em fatos reais ou puro delírio de escritora?
rsrsrrs mistério!
Super bem escrito, querida.
A última frase fecha o texto com chave de ouro!
Estava com saudade também.
Beijocas
Rossana
Quanta história numa viagem de coletivo... Ouvidas, relatadas, silenciadas...
Muitas vezes se ganha o dia por esses segredos inconfessos...
Bela escrita, senhorita!
Beijo!
Valores esquecidos,
mas reconhecidamente preciosos.
O pior!
Ainda que nunca mais se encontrem,
decerto ele flertará com outras.
Uma a cada viagem.
[Que mundo é esse?]
Beijo,
Doce de Lira
Quem te vê não imagina quanta sacanagem se passa por essa cabecinha!
Gostei do conto. Você viu as tags que foram colocadas. A idéia pode ser pegar qualquer um dos contos e desenvolver uma continuação a partir do que você leu.
Evoé!
PS: Trabalharás contra a Entropia
Emitindo luz enquanto a gravidade o puxa
para inspirar, na mentira de tuas fotos
tiradas à distância,
a mesma beleza nas fotografias de estrelas
que inspiraram este poema.
Olá, moça de sonhos graves.
Gostei muito deste conto.Promove realmente uma tecelagem minunciosa e impecável de fatos e movimentos.
Desejo a você todo o sucesso do mundo e que Deus se faça sempre contigo.
Tudo de bom!
Elaine Bastos
Bom, vir aqui me visitar, Elaine!
A casa é sua, retorne sempre q quiser...bjos!
Pakatto, ainda me aventuro em promover uma continuação dos contos do Entre a Rua e o Meio Fio...vamos ver o que sai..
Obrigada, pela visita!
Rossana, Paulo Rogério e Renata,vcs tem um lugar guardado aqui no meu coração!
que legal o conto... bem, bem, beeem empolgante. Não conhecia o blog, mas acho que vou acompanha-lo com mais frequência.. espero que atualize frequentemente, haha.
De qualquer forma, espero que você tenha encontrado algum suíço ou japonês no caminho.
Muito legal o blog, gostei bastante.
www.romarioregis.blogspot.com
Suiço? japonês? Quem me dera...rsrsrsr
"fitá-lo por entre os vidros da janela"
rsrsrs
lindo conto mesmo, mas,
é conto mesmo, ou...
aconteceu um dia?
Abraços
Tudo vale a pena se a alma não é pequena...O tempo passou na janela(do ônibus) e só Carolina não viu..."La Nave Vá"
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