terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As vozes...

_Querer-te assim? é ...indecisão, é dura caminhada de pés descalços... (uma voz). Apelos de uma alma em ardor, dum abrasamento diante do que reluz.
Sei que não me faço compreender, vejo de perto minha angustia, minha náusea ao teimar em dizer uns instantes o que quero escrever... (essa sou eu ) . Ouço as vozes da consciência elas berram,cochicham...
Dos mundos que me cercam, grandes apelos murmuram...eu ouço as vozes, tento decifrar. As vozes? Bem, talvez entenda, deve ouvi-las também. Tem dias que elas brigam umas com as outras e estou no meio delas.
As vozes, as vozes são minhas se me passarem pelos lábios e por vezes emitirem esses
sons...tenho meu tempo interno em educá-las ou somente aguardar em breve meditações...Mas as vozes, elas às vezes não são de nada, se eu lhe dou ouvidos, caio na tentação em dizer o que não deveria.
Danem-se então essas vozes caducas presas à memória!
_ Vai, vai a festa hoje, coloque o melhor vestido. E não deixe de se maquiar, apague esse rosto angelical! (outra voz)
_ Não. E a prova que irá fazer? Precisa estudar! Volte agora mesmo para casa, não dê mais um passo! ( e mais uma voz).
_ Está perdendo a vida! Quer ficar sem saber o que é encontrá-lo de novo? (outra voz).
Me vejo nessa situação, (essa sou eu). Sem poder com essas vozes. Vão todas para o inferno! E me deixe em paz!
Se as ordeno que parem, eu fico sem saber como vou pensar...
As vozes mais difíceis de coordenar e de dá ouvidos, são as impreguinadas de emoção. Estas não querem sair e serem pronunciadas, pois o momento é de tal importância, que elas se perdem. Esses tipos de vozes me pregam cada peça...ordenam de imediato o que devo fazer...e o que devo falar e acabo obedecendo, mesmo que ainda venha me machucar (e essa sou eu) por culpa do coração.
Vozes que são minhas, vozes que não são...eu julgo as suas investidas, tomo posição com elas e diante delas. O melhor a fazer, é sentir essas vibrações que querem a todo custo percorrer a laringe. Assim ei de compor meu riso, meu canto, meu choro. Ei também de me enfurecer, ei de amar e desamar.
Ei de guardá-las, ei de dizê-las inevitavelmente, umas palavras...

7 comentários:

Minerva disse...

Moça, como pode eu não saber deste blog?!
Sabe q sou tua fã Nº1#, neh?
Li tudo e amei tudo o q li e continuarei visitando... pq sei q ainda tens muito o q postar aqui.
Saudades!!! Bjão (Viviane Alentejo)

fabiano Silmes disse...

A perspectiva da voz de uma forma diferente ou seja com a consciência que a voz assume na sua prosa...é assustadora a sensação de como é que estamos sujeitos a seguil-las...como impulso,como queda,como desejos incontidos que de um momento para outro vez a tona...calmo de nossa voz.

Beijos

Lorde Wenceslau disse...

Adorei todos os textos que andou publicando. E é assim mesmo alguém escreve algo e vem outra pessoa e melhora e foi isso que fez com a figura das vozes do meu blog... rs
Continue assim, estarei sempre aqui, visitando-a.
Grande beijo!!!

Desengavetados disse...

Obrigada!!!

Godet disse...

Quão jovem é o rosto dessa voz que faz perguntas e dá respostas(essa é você) a outras vozes (essa sou eu). E todas essas vozes ouvidas através de tuas palavras...(agora nossas)prendeste algumas, para que pudéssemos também compreender melhor todas as outras.
BJS

Desengavetados disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Desengavetados disse...

Vozes...elas são minhas, são suas e de quem tomar posse delas...vozes do pensamento. bjoss!